Crivella corta bilhete único de universitários durante as férias.

Sergio Viula

 

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Eu não sabia ainda que o novo prefeito do Rio já havia dado uma canetada contra a educação universitária em menos de um mês de administração. Um querido amigo meu, universitário, acaba de me informar que ficou sem bilhete único durante as férias – recurso que o ajudava a ir e voltar do estágio.

Ter um prefeito que corta investimento em educação, justamente na área de conhecimento científico, é extremamente emblemático, especialmente levando-se em consideração o desprezo que fundamentalistas como ele nutrem contra tudo aquilo que não alimenta o fluxo ($$$) de sua organização ‘religiosa’ – conhecimento científico, definitivamente, não é uma de suas prioridades.

Parabéns aos mais de 50% dos eleitores cariocas, que foram idiotas  suficiente para votarem nesse traste. Não vai demorar para vocês perceberem a burrice que fizeram, mas vai demorar muito para se livrarem dela: 4 anos. Não espero, porém, que os extorquidos em todos os cultos da igreja do tio dele, e que continuam sendo fiéis seguidores desses manipuladore$, se arrependam de serem trouxas. Para esses, há pouca esperança, mas nunca se pode ter certeza. Os ex-crentes estão aí para provar isso.

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ATUALIZAÇÃO EM 24/01/17: Depois de muita pressão, o ‘santinho’ deu ré. O Jornal Extra publicou ontem: Estudantes voltam a ter acesso integral ao Bilhete Único Universitário

Pastor secretário de Crivella faz cruzada contra piercings e tatuagens na prefeitura do Rio.

Por Sergio Viula

A notícia chegou ao meu conhecimento através do Twitter. Fui conferir a fonte: A matéria era da revista Veja, na escrita de Maurício Lima, e denunciava a nova cruzada desse pastorzinho secretário de bispento.

 

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Secretário de Crivella faz cruzada contra piercing e tatuagem
Rubens Teixeira sugere código de costumes na administração municipal

Depois de uma década dominada por yuppies descolados da Zona Sul, a prefeitura do Rio vive dias de mudança radical.

Escolhido por Crivella para a Secretaria de Conservação, o economista Rubens Teixeira vem sugerindo aos funcionários que escondam tatuagens e piercings. Sutis, os recados são dados aos subordinados através de seus assessores.

Comenta-se que a desobediência pode acarretar até em demissão ou exoneração. Com menos de um mês de governo, Teixeira já é chamado nos corredores de “O Bispo da Universal”. 

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Quase isso. Rubens, na verdade, é pastor da Assembléia de Deus.

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Agora, vejam: Quando eu digo que mais da metade da população da cidade do Rio de Janeiro mostrou ser um bando de perfeitos idiotas na hora de votar, não exagero. Pior ainda foi ver gente que nem era da Universal ou de outras igrejolas parecidas com ela votando nele. Teve gente que votou nele apenas para evitar Freixo. E por quê? As desculpas (esfarrapadas) eram as mais diversas.

Mas, uma coisa vos digo, pecadores (risos!), não existe desculpa que justifique o voto em fundamentalistas, especialmente com o histórico daquela bancada no Congresso.

O Rio de Janeiro está vivendo uma crise sem comparação e um retardado desses faz uma campanha contra piercings e tatuagens! Isso é só o começo. Se eles não têm vergonha do ridículo em algo que não lhes trás lucro algum (e eles adoram dinheiro), imaginem quando houver dinheiro envolvido.

Se eles não têm vergonha de discriminar pessoas com base num acessório ou marca no corpo, imaginem o que farão em outros temas que bem conhecemos.

E teve ateu votando nesse tosco do Crivella. Não só isso, teve LGBT votando nesse cínico fala-mansa. E mais ainda, teve católico e gente de religiões afro-brasileiras se deixando levar pelo canto da sereia crivellina.

Eu não devia me admirar… Mas como não me indignar?

GENTE IDIOTA, vocês têm o governo que merecem, e isso tanto em nível municipal, como estadual e federal. E o Rio de Janeiro não é exceção. Teve cidade em que vereadores assumiram o cargo na cadeia ou saíram só para assumir o cargo e voltaram para o xilindró.

POVO BURRO, quando vocês aprenderão alguma coisa com a experiência?

 

 

O que o Facebook me ensinou?

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O que o Facebook me ensinou?

Por Sergio Viula

 

Antes de mais nada, preciso dizer que, durante muito tempo, mantive dois perfis no Facebook: um aberto a todo mundo e outro voltado apenas para os meus alunos e colegas de trabalho. O meu perfil irrestrito tornou-se uma plataforma de militância em prol da comunidade LGBT. Também divulgava conteúdos ateus. Tanto que esse blog tinha fan page lá sob o mesmo nome. Pois bem, era nesse perfil meio ‘ativista’ que eu também publicava muitas informações sobre a minha vida pessoal: relacionamento conjugal, atividades nos meus horários livres, enfim, quase tudo o que me viesse à mente (e fosse publicável, é claro… ^^). Minha participação naquela rede social incluía várias fan pages e um grupo – tudo isso bastante frequentado. Graças a isso, fiz alguns amigos que me acrescentaram muito e mantive contato com pessoas com as quais não poderia interagir tão facilmente sem aquela ferramenta por causa da distância ou correria do dia-a-dia.

Por que foi, então, que eu saí do Facebook há dois meses, e  refiro-me ao meu perfil “militante”?

Alguns dos motivos foram os seguintes:

  1. Graças às ferramentas de publicação e compartilhamento do Facebook, fui “alvejado” inúmeras vezes por publicações que pendulavam da mais pobre estupidez ao mais desprezível discurso de ódio. E digo “alvejado” porque elas acertavam minha timeline como “balas perdidas”, mesmo quando não eram dirigidas a mim. Muitas vezes, ignorava a postagem e nem perdia tempo tentando discutir com quem, a despeito de tantas ferramentas para checar as informações, preferia viver na ilusão de que a mentira em que acreditava fosse a mais pura verdade. Houve pouquíssimas exceções. Uma delas foi quando um casal heterossexual publicou uma história “fake” sobre um suposto casal gay que teria abusado sexualmente de um filho adotado. Além de divulgar coisa falsa como verdadeira, a pessoa ainda se deu o trabalho de dizer o seguinte: “É para isso que eles querem adotar”. A história, porém, havia sido montada por algum desafeto da comunidade LGBT e já tinha sido desmentida por sites que investigam boatos. Pois bem, dessa vez, excepcionalmente, fiz uma intervenção. Fui lá e disse: Isso já foi provado que é “fake”, mas isso aqui é verdade. E coloquei a seguinte postagem como resposta: “Pastor abusa de filha desde que ela tinha 6 anos de idade”. A matéria jornalística acompanhava a manchete. A pessoa teve, pelo menos, o bom senso de se calar, mas muitos conseguem se enfiar ainda mais na lama da idiotice, tentando salvar a própria face em meio a desbunde total de ser pego num ato de má-fé. E se não puderem salvaguardar coisa alguma do que disseram, tentam usar a válvula de escape, ao estilo Chapolin Colorado: “Foi sem querer querendo”.
  1. Foi também graças à facilidade de se produzir e reproduzir absurdos, principalmente, em forma de textos ou de fotos legendadas, muitos deles pautados em moralismos baseados em crenças dogmáticas, especialmente aquelas com características fundamentalistas, sejam da ala católica ou da ala evangélica mais radicais, que muitas pessoas por quem eu nutria uma certa admiração me mostraram que não eram tão admiráveis quanto eu pensava até então. Que tristeza ser arrancado de uma doce ilusão por um choque de realidade como esse. Deve ser semelhante ao que sente o religioso quando percebe que se sacrificou em vão em nome de uma entidade espiritual (seja ela um deus, ou deusa, ou o que o valha) não mais real do que os Ursinhos Carinhosos, por exemplo. Se bem que os Ursinhos Carinhosos são muito mais úteis à formação moral das criancinhas do que qualquer catequese ou escola bíblica.
  1. As conexões que o Facebook faz entre um usuário e uma gama de pessoas completamente desconhecidas, só porque são amigas de outro usuário, podem se constituir num verdadeiro inferno existencial. Agora, multiplique esse potencial por quase 4 mil seguidores, que era o número de “amigos” que eu tinha (alguns eram e continuam sendo meus amigos de fato, mas a maioria não fazia jus à semântica do termo). Isso quer dizer que minhas publicações poderão ser expostas a centenas de milhares de pessoas em minutos. Também significa que eu verei o que essas centenas de milhares de desconhecidos também publicam. Alguns me acrescentavam muito, mas outros tantos, muitos outros mesmo, não faziam a menor diferença ou – muito mais tristemente – me faziam perceber que o sintagma “ser humano” está longe de poder ser devidamente qualificado como “evoluído”, especialmente quando se trata de ética, política, racionalidade, ciência, sexualidade, identidade e papéis de gênero, e coisas afins. Uma pessoa pode ser facilmente intoxicada por tanto veneno intelectual, moral e emocional ao mesmo tempo, constantemente veiculados pelos usuários da rede. Ah, e tem esses novos recursos que o Facebook passou a disponibilizar, que são o reconhecimento silencioso de que ódio, falsidade e fofoca marcam presença quase onipresente naquele espaço cibernético: você pode bloquear, só deixar de seguir ou desfazer amizade, além de uma série de outras restrições que você pode impor às pessoas sigilosamente, as quais poderão também ser usadas contra você e, em última análise, deixar todo mundo falando sozinho, enquanto acredita que outros ainda possam ouvi-lo. É a árvore podando a si mesma, isto é, a rede social trabalhando com a lógica do isolamento.
  1. E justamente porque uma simples frase pode gerar uma “treta” infindável, visto que muitas pessoas acreditam que podem dizer o que quiserem, sem qualquer noção de limite quantitativo ou qualitativo, perde-se um tempo preciosíssimo apontando a lua, enquanto elas olham o dedo. Uma argumentação bem construída também poderá gerar simplesmente um “block” que impedirá que ela chegue a outras pessoas que vinham acompanhando a discussão mesmo sem serem amigas ou seguidoras do cuidadoso argumentador. É como construir castelos de areia diante de verdadeiros tsunamis. Em outras palavras, o Facebook é amplificador de falatórios que dificilmente levam a algum crescimento, porque tudo o que se quer é dar a resposta que vai deixar o outro sem palavras. Rarissimamente, há silêncio diante de algo de que se discorda ou que se reprova por alguma razão. As pessoas parecem não compreender que é possível que esse silêncio diante do questionável – que raramente ocorre – não seja mera falta de argumento, mas apenas o famoso “deixar no vácuo”, quando se chega à conclusão de que, mesmo tendo um bom argumento para apresentar, não vale a pena seguir falando. Como supostamente teria dito um judeu não muito querido em seu próprio círculo, isso seria como “jogar pérolas aos porcos” – o poderia ser parafraseado assim: “Não dê a quem não é capaz de perceber o valor da dádiva aquilo que você tem de mais precioso”. Isso é o que frequentemente acontece no Facebook, infelizmente. Tenho amigas e amigos que escrevem textos brilhantes, os quais são ridicularizados por gente que não tem um grama de neurônios para entender o que eles tão brilhantemente expuseram. Fico feliz por ter amigos assim, mas sinto-me extremamente pessimista quanto à humanidade como um todo quando vejo como funciona aquela parte que revela o pior de si mesma nas redes sociais.
  1. A “mentalidade de gado” demonstrada por tanta gente que usa as redes sociais é outra coisa que me cansa. O indivíduo ouve uma frase de teor extremamente questionável, mas que lhe parece muito inteligente, e a reproduz ao infinito. Como ele, haverá centenas, talvez milhares, de indivíduos com as mesmas limitações cognitivas que repassarão aquela “pérola de sabedoria”. Qual é o resultado? Agora, você tem um bloco discursivo monolítico com ares de senso comum, ou seja, uma coisa que a gente pensa que todo mundo pensa e, por causa disso, tende a pensar como todo mundo, mas que, no final das contas, estava equivocada desde o começo, apesar de parecer se encaixar tão perfeitamente no mundinho quadradinho de um, e depois de outro, e depois de vários, e depois de muitos, para finalmente parecer até que é a opinião de todos, com ares de verdade universal. Só que não. As pessoas nem sempre percebem que foi sua própria “mentalidade de gado” que permitiu o surgimento dessa formação discursiva e sua cristalização. Nessa categoria, entram chavões, boatos, preconceitos, falas discriminatórias, condenações a réus que nunca compareceram diante de um juiz, incluindo casos como o da dona de casa que, acusada de usar crianças em rituais macabros, foi linchada em praça pública, só para, depois disso, perceberem os seus algozes que tudo não passava de invenção. Muitos deles, porém, acreditavam estar fazendo a “obra de deus”, livrando-se de uma bruxa – bem ao estilo medieval. Idiotas para quem não tenho adjetivos adequados.
  1. A morosidade do Facebook em banir promotores de discursos de ódio, inclusive os que fazem ameaças de morte (até mesmo de terroristas) tem permitido o uso dessa mídia para recrutamento de perigosos imbecis que vão de gangs urbanas a jovens que juram fidelidade ao Estado Islâmico, os quais são capazes de praticar atrocidades como o ataque à Boate Pulse em Orlando, ou os ataques em Paris, ou o ataque ao mercado de natal na Alemanha. Pior ainda, nossas informações pessoais ficam expostas a esses canalhas e podem ser usadas por eles.

Por essas e por outras, se há uma coisa que o Facebook me ensinou é que estar conectado a tanta gente ao mesmo tempo, com tantas possibilidades de interação, sendo tantos de nós ainda tão pouco evoluídos, do ponto de vista das mais básicas noções de humanismo, pode ser muito danoso para as relações e para a saúde mental, tanto a minha quanto a de outras pessoas. Talvez seja verdade que, através dessas interações, a gente possa descobrir quem é sincero com a gente ou quem age com falsidade (será mesmo?), mas eu cheguei a duas conclusões, pelo menos:

  1. Não acredito que possa transformar a minha própria realidade através do Facebook, muito menos mudar o mundo sendo trolado e respondendo a essas tretas sem pé nem cabeça num eterno encadeamento de enunciados inúteis.
  2. Não estou disposto a investir meu tempo livre na investigação de quem presta e quem não presta, quem é coerente e quem é incoerente, quem é evoluído, humanisticamente falando, e quem é um completo retardado sob, praticamente, todos os pontos de vista.

Alguns poderiam objetar que se eu encarasse o Facebook apenas como diversão, especialmente em se tratando de memes, eu não veria tanto mal nele. Concordo que alguns deles são engraçadinhos, mas até nisso tem gente que desrespeita qualquer noção de razoabilidade. Além disso, ficar no Facebook por causa de alguns memes divertidinhos é como suportar o cheiro de um cadáver só para poder aproveitar os sapatos de couro novinhos que o infeliz usava quando morreu. Simplesmente, o benefício não vale o custo. E nada em comunicação de massas é tão inofensivo ou inocente como querem nos fazer crer aqueles que dizem que o Facebook pode ser apenas uma diversão. Ele nunca será apenas uma diversão, pelo menos não para boa parte do usuários. As pessoas tomam decisões que vão das urnas ao divórcio por causa de tretas produzidas nesse ambiente virtual.

Agora, uma coisa é verdade: Tem muita gente maravilhosa no Facebook – meu marido, inclusive. Talvez, daqueles quase quatro mil “amigos” que eu acumulei, uns 50 fossem desse naipe, mas é simplesmente impossível manter controle absoluto sobre uma rede social como essa sem que nos tornemos praticamente funcionários – sem salário – do bilionário Zuckerberg, trabalhando criteriosa e dedicadamente para tentar construir um espaço livre de estupidez – o que, no final das contas, há de se mostrar uma grande e frustrante utopia. As ações do Facebook na bolsa de valores, por outro lado, se tornarão cada vez mais valiosas.

Não posso dizer “NUNCA” (aprendi com o Justin Bieber…^^), mas garanto que eu, DIFICILMENTE, criaria outro perfil no Facebook novamente. E para aumentar as probabilidades de que nada publicado por mim continuasse rodando naquele “mundo paralelo” sem minha possível participação, fiz o seguinte:

  1. Tornei todas as minhas postagens privadas. E em seguida, excluí todas elas. Assim, cerquei cada uma delas por dois lados diferentes, mas não posso garantir que ninguém tenha salvo alguma e possa republicá-la. Essa é uma probabilidade.
  2. Desassociei todos os meus amigos através de um aplicativo que faz o trabalho do “Cérebro” no filme dos X-Men… hehehehe Ele localiza todos eles e os deleta do meu círculo em segundos. Tchau, queridos! De alguns de vocês, eu sentirei saudades sinceras, mas vocês têm meu e-mail e podem falar comigo por esse blog e pelo foradoarmario.net. Sejam bem-vindos.
  3. Por fim, excluí a página definitivamente – o que significa que não a suspendi, apenas. Ela não existirá nunca mais. Outra poderia ser criada, mas essa não será reativada.

Lamentavelmente, uma ferramenta que poderia promover mais amizade, conhecimento e debates minimamente úteis e muito bem argumentados tem servido para promover muita desarmonia, desinformação, equívocos, acusações baratas e sem qualquer critério de racionalidade, entre outras coisas. E quando alguém, eventualmente, pega seu celular e tenta me atualizar de alguma treta, dizendo “olha só o que publicaram no Facebook”, eu só respondo que essa rede social está cada vez mais podre. E grande parte dessa podridão é produzida e mantida por indivíduos que se consideram “cidadãos de bem” e muito acima da margem, só que não percebem o quanto têm de fascismo em si mesmos. Muitos desses “seres superiores”, fidelíssimos à “moral e aos bons costumes” (só que não) são os mesmos que perderam o bonde da evolução intelectual, emocional e ética. Enquanto isso, algumas pessoas que jamais serão capazes de escrever uma só linha no Facebook ou em qualquer outra rede social – porque são analfabetas – se mostram mais sábias que todos eles. Eu conheço algumas que, sem terem pisado na escola ou permanecido lá por tempo suficiente para aprenderem a ler e a escrever, são pessoas infinitamente mais evoluídas do que aquelas que se põem a escrever comentários ridiculamente despropositados ou absolutamente equivocados, não só em suas timelines, mas nas postagens de outras pessoas, as quais nunca lhes pediram qualquer opinião.

Infelizmente, sair do Facebook não garante que estejamos longe de sua influência, tendo em vista que qualquer coisa que se diga fora dele poderá ser introduzida em sua esfera a qualquer momento, bastando que alguém a reproduza através de um parágrafo ou de uma foto ou de um vídeo. Feito isso, qualquer banalidade entra no fluxo interativo dos usuários do Facebook. E se for coisa realmente relevante, as consequências podem ser ainda mais desastrosas.

Verdadeiros infernos podem ser armados dentro de uma família, de um escritório e/ou de qualquer outro ambiente onde as pessoas tenham contato ao vivo ou mantenham relações nem sempre fáceis de romper em caso de intensa desavença. O que se pode fazer, então? Apertar o botão do “dane-se” (estou sendo mais gentil do que geralmente sou) e seguir em frente? O problema é que há casos em que o prejuízo pessoal causado por uma rede de fofoqueiros pode ser materialmente e/ou emocionalmente alto demais, até mesmo irreparável. Basta que vejamos quantas pessoas já se suicidaram por causa de cyberbullying. Definitivamente, nada disso configura mera diversão inocente.

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Que pena que o Pokémon Go não colou… Se tivesse vingado, a gente não precisaria mandar certas pessoas caçarem aquilo que um determinado pastor procura até agora, né, Boechat? Elas já estariam caçando um monte de bonequinhos inocentes.

Infelizmente, o que mais tem nesse mundo é gente disposta a defender posicionamentos como os do referido pregador em nome da “moralidade”, dos “bons costumes” e da “família”. Só não percebem como esse mantra é – ele mesmo – um daqueles chavões repetidos sem o menor escrutínio racional, tratando-se quase de um encantamento que torna as pessoas automaticamente insensíveis diante de questões que são verdadeiramente relevantes para a felicidade e harmonia individual e social. Enquanto isso, esses patifes vão depenando o pouco que elas têm sem que nem se deem conta disso. É provável que essas pessoas até acreditem que são uma classe especial de indivíduos, uma espécie de casta que conta com algum tipo de favor divino, exclusivamente concedido aos que juram fidelidade a tais embusteiros e às suas repetidas violações contra a dignidade das pessoas. Só que não. Elas estão apenas servindo de massa de manobra. Por outro lado, existem muitas que, sentindo-se indignadas com tanta estupidez, não se submetem a esses patifes de modo algum. Gosto de pensar que sou dessas! E acho que eles sabem disso. ^^

A Jornada de Aliyah Saleem do Islã à divulgadora do ateísmo

Postado por Elisa Meyer em 26/11/12

Traduzido e levemente adaptado por Sergio Viula

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Aliyah Saleem: Uma ateia educada para ser muçulmana.

 

A Jornada de Aliyah Saleem do Islã à divulgadora do ateísmo

Uma das mais difíceis decisões que Aliyah Saleem precisou tomar em sua vida foi a de ir contra tudo o que ela havia sido ensinada a crer. Aliyah decidiu despir-se de suas crenças islâmicas e abraçar o ateísmo.

Apesar de Aliyah ter sido criada como muçulmana na Inglaterra e ter estudado um ano no Paquistão, ela se sentia isolada. Agora, com 27 anos, ela decidiu devotar-se a ajudar outros “apóstatas” e a fazer campanhas para ajudá-los. Sua jornada de desconversão não foi inteiramente suave.

“Foi muito duro deixar o Islã, especialmente porque muitos amigos e familiares não entendiam minha decisão”, disse Aliyah.

No final de outubro, ela falou em Plymouth, Inglaterra, compartilhando sua experiência num encontro humanista.

O maior problema foi lidar com a discriminação, que é universal e afeta todas as pessoas de diferentes experiência religiosas, quando estas deixam suas fés. À medida que falava de suas experiências, ela dizia: “Eu estudei em escolas fundamentalistas desde a idade de 11 anos e fui bastante doutrinada num estilo em que a maioria dos muçulmanos no Reino Unido não são. Ciência, razão, evolução e feminismo foram fatores que me levaram a não mais ver o Islã como uma religião verdadeira. Eu descobri que minha compreensão do Islã contradizia minha perspectiva feminista recentemente emergente e que eu não podia reconciliar minha fé com ela.”

Aos 19 anos, ela decidiu deixar o Islã. Aliyah tem sido ateia há 8 anos agora. Além de enfrentar oposição por ser uma “apóstata” agora, ela também deixou de usar o hijab. Em seu blog, ela disse que “nossas únicas posses são nossos corpos e que usar um hijab deveria ser escolha da mulher. Se elas se sentem confortáveis, deixem-nas usá-lo. Se não, ela espera que sua história as ajude a lutar contra serem forçadas a usá-lo”.

Em 2015, Aliyah organizou o Fé para os Descrentes com seu colega, Imtiaz Shams, a fim de prover uma plataforma para ajudar as pessoas em situação similar de estigmatização e ridicularização a compartilharem suas jornadas. Eles começaram a realizar conferências nos campi universitários e a falar contra a discriminação e criar conscientização sobre o tema. Eles querem dizer a outras pessoas que elas não estão sozinhas e não deveriam se sentir isoladas.

Aliyah está continuamente defendendo os direitos das mulheres bem como oferecendo suporte aos novos “desconvertidos”, os novos ateus. Ela tem sido convidada a falar em seminários, campi universitários e eventos humanistas.

A partir de sua experiência, as pessoas estão achando mais fácil assumir seu ateísmo e demonstrar publicamente sua descrença.

Fonte: World Religion

Avião da Chapecoense cai. Luto.

Por Sergio Viula

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Avião quadrimotor de produção inglesa que levava a Chapecoense era usado pela Lamia, empresa boliviana, e tinha 17 anos.

Semana passada, durante uma atividade de conversação numa aula de inglês avançado, um aluno falava sobre a admiração dele pela Chapecoense. Mechapecoense.pngu aluno dizia que era a primeira vez que o time disputaria uma partida tão importante como essa. Ele torce por outro time, mas estava feliz pela conquista que recompensava todos os esforços do time e alegrava a torcida.

A Chapecoense é um time de Santa Catariana que tem esse nome porque sua sede fica na cidade de Chapecó.

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Chapecó – SC

A investigação sobre o que teria causado a queda do avião ainda está em andamento, mas não consigo deixar de ficar perplexo diante de algumas coisas:

1. A vida é feita de probabilidades. Se aviões podem cair, alguns aviões cairão, sem que haja qualquer plano divino para isso. Na verdade, seria admirável se jamais um só avião tivesse caído ou viesse a cair até o fim da história da aviação. Isso, sim, seria notável justamente por ser altamente improvável, mas não impossível. O que quero dizer com isso é que o fato do avião da Chapecoense ter caído não cumpre qualquer propósito como gostam de dizer padres, pastores, médiuns, etc.

2. A sobrevivência de alguns é fruto de probabilidades também. Geralmente, depende de vários fatores relacionados à posição do passageiro dentro da aeronave, a distância dele em relação ao ponto de impacto e diversos outros aspectos, nada tendo a ver com livramento divino. Nem a morte no acidente nem a sobrevivência à queda do avião têm qualquer coisa a ver com uma ação divina. Deus não entra nessa economia, seja para matar dezenas de passageiros, seja para salvar meia-dúzia deles. Morremos como qualquer outro ser vivo morre no planeta, mas podemos morrer de modos mais variados que a maioria das espécies, porque inventamos de tudo e praticamente tudo envolve algum risco de morte. São inúmeras novas formas de morrer misturadas a inúmeras novas formas de viver. A queda de um avião é uma delas.

3. Entendo que as pessoas recorram a deus (ou deuses) para obter consolo, mas ainda que isso seja comovente, é logicamente um absurdo. Se deus não protegeu o voo, como confiar nele para qualquer outra coisa? Se ele podia salvar alguns, por que não todos. Se nem uma folha cai de uma árvore sem o consentimento dele (palavras atribuídas a Jesus), então como ele pode se safar dessa? Se ele é responsável por isso, seja por omissão ou por ação direta, que miserável ele é, moralmente falando. Quem faria ou permitiria tal coisa se não fosse um psicopata insensível? Na verdade, o resgate e os cuidados médicos serão os únicos salvadores dos poucos que tiverem sobrevivido à queda.

Mas esse post não se destina apenas a comentar a revolta que sinto sempre que vejo esse tipo de fala “escapei, graças a deus” (e os outros morreram graças a quem?), ou “deus é bom e vai consolar a família” (se deus fosse bom, ele não permitiria isso), ou “fulano agora está no céu e melhor do que nós” (mesmo que o céu existisse, ninguém poderia estar certo do destino de ninguém, mas o fato é que se os mortos estão melhores do que nós é somente porque pararam de sofrer, mas quem de nós gostaria de estar no lugar deles agora?).

Todas essas e outras frases mais do que batidas sempre que uma tragédia acontece depõem mais contra deus e contra a religião do que a favor deles.

E o luto?

O luto é necessário. Os parentes e amigos têm que fazê-lo. Precisam chorar, sentir a falta, a revolta pela perda, mas precisam seguir em frente. Eu já fiz alguns lutos depois de renunciar às crenças por entender que elas não passavam de produção cultural e – por isso mesmo – nada tinham de sobrenatural.

Meu mais doloroso luto foi por minha avó paterna. E mesmo nesse momento, não me veio à mente o mais leve traço de crença ou à minha boca uma só palavra de oração. Tudo o que eu pensava era que ela tinha sido uma grande mulher, uma amiga espetacular, que morreu de câncer simplesmente porque seres humanos podem morrer de câncer (não há qualquer propósito ou razão sobrenatural para se ter câncer). Ela fez e continua fazendo uma falta para a qual não havia qualquer substituição ou compensação.

Meu luto demorou, mas foi feito. E o que resta hoje? Boas memórias dessa guerreira e inspiração por seu amor e dedicação a mim e outros parentes.

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Seleção e equipe de apoio dentro do avião que caiu. Reprodução Internet

Meus sentimentos para com os que perderam seus amados

Então, no dia de hoje, manifesto meus sentimentos de tristeza pela perda de todas essas vidas e também me alegro pelos que sobreviveram. Não, eu não atribuo coisa alguma nisso tudo a qualquer entidade sobrenatural. É dos seres humanos o crédito pela criação dessas entidades supostamente sobrenaturais (deus, anjos, espíritos, carma, reencarnação, ressurreição, paraíso, etc). É também dos seres humanos o crédito por toda a articulação que  fazem entre essas crenças e o que acontece em suas vidas.

As famílias e amigos nunca esquecerão, mas quase certamente conseguirão seguir em frente. Assim como eu nunca esquecerei minha avó, eles nunca esquecerão seus amados, mas tenho feito o que ela mesma fez até seu último dia: vivo tudo o que desejo viver na medida das minhas possibilidades e o farei até o dia em que um dos milhões de possíveis “interruptores” da vida me atinja e meus átomos sejam liberados para configurarem outros seres vivos ou não-vivos, sempre de acordo com as dinâmicas intrínsecas à própria natureza. Foi assim que eu vim a ser e que outros estão vindo a ser nesse momento e virão a ser depois de mim, a partir dos elementos que me compõe e que se decomporão quando as funções vitais forem interrompidas.

O que podemos fazer daqui para frente?

Viver cada dia o mais sossegada e felizmente possível, fazendo o que estiver a nosso alcance para realizar o que desejamos sem injustiçar ninguém.

Tem alternativa melhor?

 

Obrigado, Chapecoense.

Vocês inspiraram e ainda vão inspirar muitos, Chapecoense. Obrigado pelas alegrias vividas e proporcionadas. Uma das cenas de alegria mais intensa do time:  https://m.facebook.com/story.php?story_fbid=1050689458374266&id=350981738345045

 

Judeus ateus estão aí muito antes de Cristo

Por Sergio Viula

MOISÉS E A FILHA DE FARAÓ OS 10 MANDAMENTOS.jpg

 

A presunção dos crentes, especialmente dos neo-pentecostais não tem limite mesmo. Dia desses, topei com um link que dizia que a novela Os 10 Mandamentos, produzida pela Rede Record de TV, a emissora do Macedo, e o seu subproduto, o filme, conquistaram até ateus. Não sei de onde tiraram essa ideia. Que pesquisa fizeram para verificar esse dado?

Meus pais acompanhavam essa novela – ou seria essa estratégia proselitista? Sempre que eu ia à casa deles, e eles estavam assistindo o que eu considero “uma pobreza no campo da criatividade” na televisão contemporânea (não é o único exemplo de pobreza cultural na TV), eu era obrigado a assistir aquele caleidoscópio de xenofobia, machismo, subserviência ao sacerdócio, ignorância e por aí vai.

Enquanto via o desfile de preconceitos glamourizados na novela, só conseguia lamentar a empolgação deles, porque não era como as emoções que sinto quando vejo Batman, sabendo que o cavaleiro negro é mero exercício de imaginação; eles acreditam que sejam fatos. Quanta ingenuidade.

Então, fico me perguntando quem seria esse “ateu” que foi conquistado por essa fraude criada por sacerdotes e outras lideranças ao longo da história de um povo que nunca conseguiu vivenciar a tão almejada unanimidade em torno da fé imposta pela classe sacerdotal judaica. Sacerdotes que desvirtuaram fatos históricos, criaram mitos, sacralizaram uma linhagem (os filhos de Arão e demais membros da tribo de Levi)  só para justificar seu domínio sobre as demais, e por aí vai.

Não faltam indícios de como líderes religiosos judeus se ressentiam da existência de ateus em seu pequeno mundo sectarista. Esses metidos a eleitos de deus não conseguiram conter seu rancor, que marca presença no livro de Salmos, por exemplo.

Claro que muitos desses textos foram escritos do ponto de vista de religiosos que adorariam acabar com essa “raça” de judeus ateus.

Um crente contemporâneo poderia dizer: Como podem esses judeus terem permanecido ateus? Como podem não ter acreditado em deus depois de tantos milagres?

Mas que milagres? Milagres que nunca aconteceram? Milagres que foram criados para manter o povo atrelado à religião e sustentando seus clérigos?

De qualquer modo, apesar da linguagem depreciativa contra os ateus, aqui vão alguns indícios da existência de judeus ateus no período das escrituras judaicas. Os dois primeiros versos parecem repetidos, mas não são. Observe as referências:

Disse o néscio no seu coração: Não há Deus. Têm-se corrompido, e cometido abominável iniqüidade; não há ninguém que faça o bem. (Salmos 53:1)

Disse o néscio no seu coração: Não há Deus. Têm-se corrompido, fazem-se abomináveis em suas obras, não há ninguém que faça o bem. (Salmos 14:1)

Pela altivez do seu rosto o ímpio não busca a Deus; todas as suas cogitações são que não há Deus. (Salmos 10:4)

Judeus ateus recentes

Mas judeus ateus não são somente um fenômeno dos tempos bíblicos, eles também estão entre nós nos dias de hoje. Entre alguns notáveis (mortos e vivos), estão:

Karl Marx, que nasceu em uma família de etnia judaica, mas foi criado como um luterano e está entre os pensadores ateus mais notáveis e influentes da história moderna.

Sigmund Freud, que escreveu O Futuro de uma Ilusão, no qual ele tanto evitou crença religiosa quanto delineou as suas origens e perspectivas.

A anarquista Emma Goldman, que nasceu em uma família judaica ortodoxa e rejeitou a crença em Deus.

A primeira-ministra israelense Golda Meir, que ao ser perguntada se acreditava em Deus, respondeu: “Eu acredito no povo judeu, e o povo judeu acredita em Deus.” Percebe-se que como qualquer político, ela também era mestre na arte de dizer sem ter dito.

O filósofo francês e judeu Jacques Derrida declarou: “Eu passaria perfeitamente por ateu”.

O cineasta Woody Allen, que ironicamente já disse o seguinte: “Como posso acreditar em Deus, quando na semana passada fiquei com minha língua presa no rolo de uma máquina de escrever elétrica?”

Avram Noam Chomsky, que é um linguista, filósofo, cientista cognitivo, comentarista e ativista político norte-americano, reverenciado em âmbito acadêmico como “o pai da linguística moderna, ainda vivo (2016), e um dos mais notáveis exemplos de judeu ateu extremamente comprometido com o humanismo.

Os judeus ateus nos EUA e em Israel hoje

O site do Paulo Lopes veiculou um artigo em que Phil Zuckerman, autor de Invitation to the Sociology of Religion, afirma que os judeus talvez sejam o menos religiosos dos grupos “religiosos” do mundo.

Nos EUA, onde existem quase tantos judeus quanto em Israel, só 22% dizem que a religião é “muito importante” em suas vidas, contra uma média nacional de 60%. Os judeus americanos são a categoria que menos frequenta o templo, reza, crê na vida após a morte e considera que a Bíblia é a palavra de Deus.

Claro que os chamados não-religiosos não necessariamente ateus, mas incluem muitos deles.

A matéria continua dizendo que em Israel, a proporção de ateus e agnósticos está entre as maiores do mundo – entre 15% e 37%.

Segundo o site do Paulo Lopes, um trabalho de 1995 indicou que quase 50% da população se classificava como não religiosa (lo dati, em hebraico), contra 20% de ortodoxos.

Zuckerman, autor da obra citada acima, diz que faz mais sentido hoje classificar os judeus como grupo étnico do que como constituindo uma religião. Isso não resolve o problema dos rabinos, mas “salva” o judaísmo do ateísmo. Diz ele: “Eu pelo menos me considero um bom judeu ateu.”

Ou seja, o ateísmo não é o fim do judaísmo, porque é possível ser judeu e ateu, uma vez que ser judeu não é apenas acreditar em Yahweh – o deus de quem os cristãos acreditam que Jesus seja a encarnação – o que, por sua vez, é uma blasfêmia para os judeus ortodoxos, diga-se de passagem.

Essa característica de judeus ateus – ou, como alguns preferem chamar, os judeus seculares – de participarem da vida comunitária judaica, incluindo as tradições rabínicas, acaba tornando a presença ateia entre judeus religiosos uma realidade discreta, mas eles estão lá. Um texto do professor Yaakov Malkin (tradução por Ronen Perlin) foca exatamente sobre isso:

Judeus seculares, isto é, judeus que se liberaram da obrigatoriedade da observância de práticas tradicionalistas, são judeus fiéis, tão quanto qualquer outro judeu, demonstrando sua crença pelo seu modo de viver através da educação que oferecem aos filhos, na medida em que celebram as datas nacionais e festivais próprios, na sua percepção de judaísmo enquanto manifestação cultural e não manifesto religioso.

Judeus seculares acreditam em humanidade, que homens e mulheres construíram nossos valores morais, que criaram D’s (ele próprio) com todas as leis e mandamentos que os religiosos se lhe delegam (à D’s).

Em outras palavras, judeus ateus (ou seculares) acreditam na humanidade, não em deus e supostas revelações. Eles consideram que o deus judaico e suas leis foram criados pela própria humanidade. Portanto, são os próprios homens e mulheres que constroem os valores morais.

Os judeus ateus adotam uma ética racionalista e solidária, sem recorrer ao divino em si, mas quando agem justa e benignamente, sua comunidade acredita que eles estão agindo como bons judeus, não como bons ateus. Os homens e seus pensamentos viciados, não é mesmo?

Comparativamente, os judeus ateus humanistas mostram-se muito mais solidários e capazes de atitudes altruístas do que judeus ortodoxos, que são geralmente extremamente fanáticos, assemelhando-se a fundamentalistas islâmicos e fundamentalistas cristãos sob vários pontos de vista.

A pergunta que fica é: Por que tanta gente que nem é judia alega acreditar no deus judaico, mas atribui a ele características e ações que para o próprio judeu religioso são consideradas blasfemas?

Outra pergunta: Por que acreditam tão piamente em “milagres” como esses que a novela e o filme “Os 10 Mandamentos” retomam como se fossem absolutamente reais e inquestionáveis?

Entre os judeus mesmo, sempre houve muitos que não acreditavam no deus tribal parido entre tribos nômades e posteriormente elevado à posição de deus único e verdadeiro – tudo isso, graças a vários fenômenos culturais e à ambição por poder da parte das lideranças religiosas, que geralmente tentavam controlar os governantes, especialmente os monarcas, e continuam tentando influenciar o Legislativo, o Executivo e o Judiciário nos dias de hoje.

Tanto o cristianismo quanto o islamismo beberam das tradições judaicas. Portanto, todos eles estão fundamentados sobre tradições que não são mais divinas do que quaisquer outras no mundo – tudo sendo construção cultural com inúmeras adaptações ao longo dos séculos. E o próprio judaísmo não ficou imune às tradições de outros povos aos quais eles mesmos consideravam ‘imundos’.

O judaísmo tomou emprestadas crenças de outros povos. Os cristãos, idem.

Se apenas 10% de tudo o que é dito no vídeo abaixo fosse verdade, isso já seria o suficiente para colocar o cristianismo e o judaísmo em xeque. Nada há de revelado ali. Quanto ao islamismo, ele toma emprestado do judaísmo, do cristianismo e de superstições árabes contemporâneas a Maomé.

 

VOCÊ NÃO PRECISA DE RELIGIÃO PARA SER BOM. A RELIGIÃO NÃO O TORNA MELHOR NEM PIOR. MAS CUIDADO: EM NOME DOS DEUSES, JÁ SE “SANTIFICOU” O ÓDIO EM MUITAS FORMAS E SE CONDENOU O AMOR EM DIVERSAS OUTRAS.

Pregadores em sala de espera: Só não são mais chatos por falta de espaço…

Por Sergio Viula
pregdor-em-sala-de-espera

Fui ao escritório de direitos autorais da Biblioteca Nacional registrar uma obra e ouvi quatro crentes falando sobre suas crenças. Os quatro eram daquele tipo bem fanático. Um sabia meia-dúzia de versículos, que recitava sem o menor senso crítico. Os outros o ouviam e concordavam como se aquela fosse a mais absoluta verdade. Só que não.

Fiquei pensando em como as pessoas ‘papagaiam’ o que ouvem sem investirem o menor tempo em raciocinar sobre a validade disso tudo. E o pior é a falsa humildade pretextada cada vez que o cara diz “não sou eu que digo, é a Bíblia” ou “eu não sou nada, sou só um servo”. Na verdade, ele se acha o porta-voz de deus – o que supostamente o coloca numa posição mais elevada que os outros.

E a repetição da frase “…porque não somos bastardos, somos filhos”? É muita carência emocional. Muita necessidade de pai, carai! Vê se cresce, bebezão.

É engraçado que todo mundo se veja como intérprete fiel da Bíblia e que acredite ter a verdade final sobre cada letra posta ali. Gente que é incapaz de interpretar corretamente uma questão do Enem, mas se sente doutor em textos antigos, traduzidos a perder as contas, cheio de pontos controversos, que encontram contradições, sobras ou faltas quando se comparam manuscritos antigos – o que não significa ‘originais’, como dizem muitos indoutos no assunto. Não existem originais. Nem mesmo um sequer. Os mais antigos são cópias, de cópias de cópias e apresentam várias discrepâncias entre si.

O problema, portanto, já começa com o texto em si. Depois disso, tem as traduções que corrompem sentidos nas cópias das cópias das cópias em hebraico, aramaico e grego. E, depois de tudo isso, ainda tem os problemas de interpretação, seja por falta de conhecimento, seja por má-compreensão do que está escrito – que já não é original -, seja por pilantragem mesmo, porque certas interpretações serves aos propósitos de manipuladores e exploradores da credulidade de fiéis ignorantes, culpados, medrosos e tão ambiciosos quanto seus líderes, mas não tão espertos.

Claro que não perdi meu tempo discutindo com aqueles crentes pregadores oportunistas que fazem de uma sala de espera um púlpito para todo o tipo de asneiras consideradas sagradas.

Como eu tinha coisas mais importantes para fazer, tais como almoçar e corrigir provas, decidi simplesmente pegar meu protocolo de solicitação de registro de autoria de uma obra e saí. ^^

A maioria dos leitores devotos da Bíblia costuma evitar qualquer pensamento sobre os problemas que as escrituras “sagradas” colocam diante do leitor sem o menor pudor. Por isso, listei esses 10 problemas da Bíblia do modo mais claro que pude. Convido todos a lerem esse texto: 10 Grandes Problemas da Bíblia.

Outra postagem que gostaria muito que as pessoas acessassem é essa que coloquei na forma de um híbrido de vídeo e podcast. O conteúdo foi apresentado numa das poucas igrejas que têm coragem de ouvir o contradito sem perder a linha: a Igreja Reformada Ecumênica de Copacabana, agora se reunindo em Botafogo. Como não consegui filmar a palestra, decidi gravar o que você poderá ver/ouvir aqui: MÊS DA BÍBLIA: Um ateu na Igreja Reformada Ecumênica .

Agora, deixando o texto bíblico de lado e pensando numa frase que os crentes adoram repetir, sugiro a leitura desse texto: Um corpo nunca será livre enquanto a mente ainda tiver senhores. A frase a que me refiro é aquela que diz que Jesus Cristo é o Senhor. Vale a pena dar uma olhada. Mas, infelizmente, muitos preferem nem se expor a uma fala que não reforce suas frágeis crenças, ou seja, aqueles que preferem viver na bolha do fanatismo que renega tudo para tentar resguardar aquilo por meio do que esperam ser salvos: a fé. E para se consolarem de tudo o que estão perdendo em nome dessa obediência cega a textos corrompidos e pessimamente interpretados, eles repetem: “De que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?” Isso é mera anestesia existencial e não resolve o problema: ele perde muita coisa boa que os líderes religiosos demonizam e não ganha absolutamente nada com isso. Sobre essa ficção chamada alma imortal ou espírito eterno, assista: A imortalidade da alma e suas consequências nefastas.

Não tenha medo. Ele é matéria-prima para todo tipo de superstição e estas são as ferramentas que os manipuladores de mente utilizam para controlar seus pensamentos e suas ações.