Mortos por não crerem e ousarem questionar

Por Sergio Viula 

Originalmente publicado no AASA

Mortos por não crerem e ousarem questionar

 Traduzido e adaptado por Sergio Viula de:http://www.csmonitor.com/World/Security-Watch/terrorism-security/2015/0227/Atheist-US-writer-killed-in-Bangladesh-familiar-attack-on-free-expression

 bangladesh mortos por não crerem e ousarem questionar

Estudantes de Bangladesh e ativistas sociais contra o assassinato de Avijit Roy em Dhaka. Como um proeminente blogueiro americano-bengalês, o Sr. Roy era conhecido por falar contra o fundamentalismo religioso. – A.M. Ahad/AP

O autor, blogueiro e ativista descrito como um humanista secular por seu pai, Avijit Roy, foi perseguido até à morte por dois homens que brandiam facões no campus da Universidade de Dhaka, enquanto ele e sua esposa retornavam para casa depois de visitarem uma feira de livros. Ela sobreviveu ao ataque com sérios ferimentos e a perda de um dedo.

Pinaki Bhattacharya, um amigo blogueiro do escritor assassinado, disse que uma livraria online estava sendo ameaçada por vender os livros de Roy: “Em Bangladesh, o alvo mais fácil é o ateu. Um ateu pode ser atacado e morto”, escreveu ele no Facebook.

O grupo chamado Article 19 (Artigo 19), defensor da livre expressão,  registrou 258 casos de ataques contra as liberdades de jornalistas e ativistas em Bangladesh em 2013, com quatro mortos.

Em algumas partes do mundo, ataques contra a liberdade de expressão fazem parte da vida cotidiana. Recentemente, a Arábia Saudita – uma aliada muito próxima dos Estados Unidos e de outros governos ocidentais – sentenciou um homem à decapitação pelo crime de rasgar uma cópia do Alcorão e renunciar ao Islã.

A liberdade de expressão e de dissenso de qualquer tipo é severamente reprimida na Arábia Saudita, o que reforça a ideia sunita de missão, na qual muitos extremistas baseiam justificativas intelectuais para grupos militantes como o Estado Islâmico. No ano passado, o país sentenciou o blogueiro Raif Badawi a 10 anos de prisão e a 1.000 chicotadas pelo crime de ter criado um site na internet chamado Liberais da Arábia Saudita (Saudi Arabian Liberals). – registra a Anistia Internacional.

Vocês fazem ideia do que é ser violentamente chicoteado mil vezes seguidas? E o que significa alguém ser obrigado a ficar 10 anos sob o domínio de gente que não poupará esforços para transformar sua vida num verdadeiro inferno, dia após dia – cada manhã, tarde e noite durante uma década inteira? Isso é inaceitável sob qualquer ponto de vista racional.

As acusações contra Raif estão relacionadas a artigos que ele escreveu criticando autoridades religiosas da Arábia Saudita e alguns textos de autoria de outros livres pensadores que Raif publicava no site Liberais da Arábia Saudita (Saudi Arabian Liberals). Por pouco, ele não foi morto, visto que a promotoria solicitou que ele fosse processado por “apostasia” ou abandono de sua religião. A pena para esse crime é a morte.

Raif é um dos muitos ativistas perseguidos na Arábia Saudita por expressarem abertamente suas opiniões online. O Facebook e o Twitter são incrivelmente populares num país onde as pessoas não podem revelar suas opiniões livremente em público. As autoridades têm respondido a esse crescimento do debate via internet com o rigoroso monitoramento das mídias sociais e sites. Já tentaram inclusive banir aplicativos como Skype e WhatsApp para sufocar qualquer tentativa de livre expressão.

Claro que não é só na Arábia Saudita que coisas assim têm acontecido. Como publiquei na postagem do domingo passado aqui mesmo na Coluna do Viula, o Egito, governado pelo aliado dos EUA Abdel Fatah al-Sisi, sentenciou o estudante universitário Sherif Gaber a um ano de prisão por promover ateísmo em sua página do Facebook.

Roy é o segundo blogueiro bengalês a ser assassinado em dois anos e o quarto escritor a ser atacado desde 2004, diz o Malaysian Insider.

A internet tem que continuar sendo livre, o mais livre possível – o que não significa que vale tudo, é claro. Se alguém tem seus direitos violados de alguma maneira, isso precisa ser apurado e se for o caso tratado judicialmente. Todavia, censurar o dissenso pelo simples fato de que isso colocaria em xeque dogmas, doutrinas e outras ideias é inaceitável.

Não é de causar estranhamento que a sanha religiosa de controlar mentes inclua a vontade de controlar os enunciados. Afinal, o dogmatismo não resiste ao debate racional. Daí, eles sempre tentarem recorrer ao silenciamento de toda e qualquer voz que ouse desafiar seus motivos, métodos e objetivos.

Ateus, agnósticos, céticos, humanistas seculares e outros livres pensadores incomodam muito aqueles que se sentem confortáveis sob o chicote de seus adestradores mentais, mas parece igualmente correto dizer que qualquer religioso inteligente provavelmente concordará com a ideia de que a liberdade de expressão é o melhor para todos.

Além disso, por que um deus todo-poderoso (ou vários deuses super poderosos) não saberia se defender de meros mortais críticos? E de que maneira atentados terroristas (como no caso do Charlie Hebdo), assassinatos, prisões e torturas para calar os que questionam as fés e as práticas das religiões institucionalizadas e de seus representantes ou membros, poderiam ser justificados por pessoas razoáveis? Tudo isso parece só confirmar a tese dos dissidentes que sugerem que o mundo poderia ser melhor se ficasse livre de dogmas, doutrinas e supostas revelações sobrenaturais.

A pior coisa que pode acontecer para qualquer ser humano é se submeter aos que cerceiam suas liberdades fundamentais ou consentir com isso, qualquer que seja o motivo, especialmente se for em nome de regimes políticos, econômicos e/ou religiosos.

Fundamentalistas e outros totalitaristas não suportam a liberdade e odiaram ver as pessoas descobrirem como podem ser felizes longe de seu domínio.

DIGA NÃO À INTERFERÊNCIA RELIGIOSA NA ESFERA PÚBLICA E PRIVADA.

Quem quiser viver sujeitado, que viva, mas que não se permita a sujeição compulsória de quem quer que seja.

Ateus, agnósticos, céticos e humanistas seculares, façamos circular os discursos que enfraquecem toda forma de controle mental, especialmente aquelas supostamente chanceladas por deuses e outros seres encantados. E quem tiver ouvidos para ouvir, ouça. língua

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