Listen to your heart!

Por Sergio Viula

Originalmente publicado em AASA

 

listen to your heart

Primeiro domingo do ano e primeiro texto da Coluna do Viula em 2016. Acho que é um bom momento para pensar na vida. E falando em viver, não há coisa melhor que viver o que se quiser viver, como se desejar viver. E não custa lembrar: o único limite inegociável é o respeito aos mesmos direitos na pessoa do outro.

Estamos em pleno século XXI e ainda tem muita gente que não faz o que deseja por mera coerção social. O pior é que, uma vez internalizadas, essas coibições resultam numa série de efeitos colaterais, especialmente psíquicos,  que vão da raiva à depressão, podendo ser somatizados, ou seja, transformados em doenças físicas também. Sem contar o barulho que toma as redes sociais e outros círculos quando essa gente mal resolvida cisma de vociferar todo seu ódio por aí. Quando isso acontece, acabamos conhecendo o lado feio da força (risos). Não digo (lado) negro (da força), porque negro é lindo! Tenho me surpreendido com pessoas que eu nunca pensaria serem tão egoístas e desumanas.

Fiz um teste essa semana. Nunca havia publicado qualquer foto minha sem roupa por aí. Não acho que seja adequado mostrar genitálias em publicações abertas nas redes sociais. E mesmo nas publicações de grupos fechados, sempre há a possibilidade de vazamento. Como tenho, vários compromissos que exigem algum decoro, nunca me permiti publicar ou enviar por chat  fotos assim. Mas, meu decoro é só mesmo o necessário. Nada de obsessões com etiquetas sociais excessivas e opressivas.

Mas, no último dia do ano, acordei com fogo extra no coro. E decidi fazer um teste: publiquei uma foto nu, mas sem qualquer exagero. Nada de pênis ou bunda aparecendo. Acreditem, houve quem dissesse que a foto poderia virar um desenho ou uma pintura. Fiquei lisonjeado. Não sou mais jovem (esse povo entre 20 e 30 anos). Já estou curtindo meu 46º ano de vida. Então, todo esse frisson acabou sendo um carinho gostoso e saudável no ego.

Quando eu pensei que já tinha atingido meu orgasmo midiático, recebi uma mãozinha extra de um(a) conservador(a). O moralista de plantão, fiscal do furico alheio, achou por bem fazer uma denúncia anônima contra a foto, esperando que o Facebook a removesse. O que ele(a) não esperava era que a rede do Zuckerberg lhe desse uma baita bordoada no meio da lata.

Sim, porque o Facebook respondeu que a foto não viola os padrões da comunidade. Publiquei a resposta deles em print e tirei um delicioso sarro com a cara do(a) idiota. O clímax dessa punheta foi essa frase que eu soltei no meio do meu mais subversivo prazer:

Essa foto NÃO VIOLA. Essa foto VIULA. (risos)

Incrível como as pessoas nem ligam quando veem corpos trucidados, mutilados, boiando em enchentes – corpos atravessados por tragédias naturais ou por violências que vão de um mero assalto até um crime por homofobia ou transfobia, por exemplo.

Já vi fotos de extremo mal gosto publicadas no Facebook, mas nunca consideradas impróprias. Coisas como mulheres esfregando a vagina na cara de homens em bailes funk e coisas assim. Sou totalmente a favor da liberdade para que os bailes funcionem e que cada um faça o que achar melhor de seu próprio corpo, desde que não viole o corpo do outro. Mas,  não deixa de ser interessante ver a hipocrisia de alguns moralistas; o incômodo que a felicidade alheia pode causar a essas “frágeis” criaturas de gosto duvidoso. Fico me perguntando como o bem-estar de alguém, inclusive o de estar bem consigo mesmo, pode incomodar tanto os descontentes, frustrados e reprimidos, como eu disse lá no início?

Antes que alguém me pergunte: Mas cadê a foto, Sergio Viula? Aí, vai um print da publicação.

sergio viula nu

Alguém pode estar se perguntando: E por que falar nisso aqui? Entre outras coisas, porque esse episódio ilustra bem dois princípios que eu adoto para a vida:

  1. Faça tudo o que você desejar, desde que isso não viole o direito de ninguém;
  2. Não tente impedir que as pessoas façam aquilo que desejarem se isso não viola o seu direito.

E digo a vocês, queridos leitores: um amigo já havia me dito que talvez o Facebook me bloqueasse por causa dessa foto. Ele estava preocupado, porque gosta muito de ler minhas postagens e pensou que eu pudesse ficar impedido de fazê-las. Minha resposta carinhosa foi que se o Facebook fizesse isso, eu daria uma de loka e  alopraria geral, publicando mais e mais fotos e postagens ousadas assim, mas sempre na mesma linha de bom gosto, até que eles suspendessem minha conta. Eu ia querer ver até onde iria tudo isso. Mas, como eu disse, o Facebook deu um lindo coió na recalcada (essa pessoa desocupada e infeliz… kkkk) que fez a denúncia. E como não poderia deixar de ser, saí linda e faceira desse embate.  E pelos comentários que recebi dos amigos, tudo isso acabou sendo extremamente inspirador para a maioria deles (depois de ler esse post, clique na foto e veja os comentários). Eu também acho que a ousadia com bom nível é sempre inspiradorAMPULHETA.pnga. Tem muita gente que segue essa linha e me enleva.

E é por essas e outras coisas que o título desse post é inspirado pela música de mesmo nome, cantada por Roxette: Listen to your heart (Ouça seu coração). Roxete canta literalmente o seguinte: Ouça seu coração antes que você lhe diga adeus.

Sim, meus amigos e amigas, porque cada dia que você não faz o que deseja, isto é, não vive como quer ou não é plenamente você mesmo(a), é um dia a menos para fazer tudo isso daí para frente. Nossos lindos corpos são como ampulhetas ambulantes. A areia continua caindo, mas não há quem possa nos virar ao contrário para que tenhamos todo aquele tempo de novo.

Penso que o equilíbrio pode ser resumido numa frase. E foi essa frase que eu coloquei como foto de capa na virada do ano:

“Resolução de ano novo: Viver intensamente, mas sem pressa.”

Explico: a pressa é fruto da angústia diante dos prazos apertados, e ela mesma, por sua vez, gera mais angústia ainda, porque geralmente é “inimiga da perfeição”. E vou mais longe: a pressa é inimiga da SATISFAÇÃO. Comer com pressa, amar com pressa, viajar com pressa, enfim, fazer qualquer coisa apressadamente não satisfaz. Parece que sempre fica faltando alguma coisa; algo se perde pelo caminho. Viver intensamente, mas sem pressa – eis uma boa maneira de se conduzir na vida.

Se tem uma coisa que ateus, agnósticos e outros livres pensadores ‘deveriam’ poder fazer melhor que ninguém, é viver sem medo e sem culpa de serem felizes. Curiosamente, nem sempre é assim. Muitos ainda vivem sob os ecos das vozes do além, imaginadas com tanta força e carregadas de tanta emoção enquanto valorizavam a religiosidade que agora renegam,  que, sem que eles percebam, acabam reprimindo ou estragando seus mais inocentes prazeres. Isso para não falar nas coerções impostas pelas voz do outro e pelo olhar do outro, sempre temidos, sempre considerados como de suma importância. Ah, a reputação! Ela tem seu valor, mas, se excessivamente valorizada, ela se transforma em gaiola.

Por isso, considero de suma importância que todos saibam usar convenientemente o botão do foda-se. Ele é extremamente útil na hora de se lidar com gente recalcada, reprimida, mal resolvida, moralista, conservadora, fundamentalista, despeitada, invejosa, eternamente insatisfeita com tudo, seja lá o que for isso, principalmente quando querem contaminar os outros com essasziquiziras psíquicas e existenciais. Ligar esse botão “mágico” dá menos trabalho e é uma delícia! Experiência própria, meus lindos e minhas lindas!

Então, para não prender você demais aqui, encerro esse post com um Feliz 2016! E que seja um tempo feliz, especialmente porque você está de bem com seu corpo (porque o corpo é você) e com os demais corpos à sua volta. Porque, se você estiver de bem consigo mesmo, provavelmente viverá em paz com os outros. É o que eu sempre digo: Gente feliz não enche o saco. (risos)

Para inspirar seu domingo e sugerir um bom lema para cada dia de 2016, compartilho a linda música de Roxette, Listen to your heart .

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