113º Hangout da ARCA (Associação de Racionalistas, Céticos e Ateus)

Por Sergio Viula

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113º Hangout da ARCA (Associação de Racionalistas, Céticos e Ateus)

O Atentado de Orlando – com Sergio Viula

 

Estar com o pessoal da ARCA é sempre um prazer. Além disso, esses guerreiros merecem todo o reconhecimento por estarem no ar há 113 semanas. Todo sábado, é um tema diferente. E é variado mesmo. Você pode curtir e seguir o perfil deles no Facebook: https://www.facebook.com/arcateus  E aqui você pode acessar o canal da ARCA no YouTube, no qual você encontrará os hangouts e outras produções: https://www.youtube.com/user/canaldarca

Conheça aqui os hangouts feitos recentemente: https://plus.google.com/+canaldarca/posts

Estou colocando (abaixo) alguns dos hangouts já feitos e que também estão listado no link do google plus:

Hangout d’ARCA – O Terrorismo Islâmico ontem e hoje – Com Khadija Khafir

111º Hangout d’ARCA – Revista Ateísta – 2ª Edição – com Gabriel Filipe

 110º Hangout d’ARCA – Notícias (estupro, inclusive)
Pessoalmente, fico muito feliz que a equipe da ARCA continue mantendo a bola do ateísmo, ceticismo, agnosticismo e racionalismo rolando. De fato, não conheço outra organização que esteja há tanto tempo veiculando hangouts ateístas no YouTube com essa regularidade e sem falhar um sábado. Sempre às 22:30. Depois, o hangout é repetido na ARCA Portugal, sempre aos domingos (um dia depois), às 02:30 da madrugada aqui no Brasil.
Convido todos e todas as assistir o 113º Hangout sobre o ataque à boate Pulse (Orlando). Basta clicar no player do YouTube no começo desse post. Acredito que será interessante e produtivo. Agradeço às pessoas que já me enviaram feedback sobre esse bate-papo. Copio abaixo os três primeiros comentários que eu recebi via Facebook. Compartilho-os aqui com vocês, queridos leitores:
113º Hangout da ARCA – 25/06/16.
Comentários recebidos via Facebook
Os que desejarem me adicionar, sejam bem-vindos:
comentários sobre o 113 hangout da ARCA.jpg

Acompanhe os hangouts e fique ligado nos encontros de ateus e agnósticos que a ARCA promove.

Boa semana a todos e todas!

 

 

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Como vencer a guerra contra a Jihad? – pelo Dr. Bill Warner

Por Sergio Viula

islã dominará o mundo

CARTAZES NA FOTO: O Islã conquistará o mundo / A Sharia é a verdadeira solução – liberdade vai para o inferno / O Islã dominará o mundo – a liberdade pode ir para o inferno / etc.

Muita gente anda confusa sobre como lidar com tanta informação que nos chega ao mesmo tempo. Algumas pessoas têm medo de criticar o Islã, porque acham que se deve respeitar a religião alheia. Outras estão furiosas e são capazes de segurar um muçulmanos pela barba ou uma muçulmana pelo véu e arrastar em praça pública. Nem uma coisa nem outra colaboram para a solução do problema que a jihad, não apenas o que se pensa como ataque terrorista isolado, significa para todos os não-muçulmanos. O perigo é grave e nos ronda a todos.

Por isso, hoje quero recomendar esse vídeo produzido pelo Dr. Bill Warner, do Centro de Estudos do Islão Político, logo depois da chacina na boate gay Pulse, em Orlando, Flórida. Ele fala sobre o que teria levado um muçulmano e se tornar jihadista, matar 50 gays e ferir outros 50, alguns mortalmente?

No vídeo, ele também diz porque estamos perdendo a guerra contra a Jihad e o que fazer para reverter o quadro.

A dica me veio através do perfil https://www.facebook.com/LeiIslamicaEmAcao/ no Facebook. Eles também mantém o blog http://infielatento.blogspot.com.br/ para chamar atenção sobre o avanço da Sharia, a lei islâmica aplicada a todos os aspectos da vida dos muçulmanos, inclusive o poder estatal onde ela é adotada.

Esse é um vídeo que TODOS e TODAS deveriam assistir, religiosos ou não, de qualquer raça, nacionalidade, gênero, orientação sexual e classe social, porque a jihad é uma empreitada global e sem prazo para encerramento. Ela aspira ao poder sobre tudo e todos até que tudo e todos estejam submetidos à Alá, o que significa dominados pelos imãs e outros líderes muçulmanos. Entenda o que está em jogo e por que os ataques não cessam.

E sobre a necessidade de se criticar o Islã, Maomé, a jihad e os sistemas políticos, econômicos, sociais e culturais que surgem a partir deles, muita gente nunca entendeu o Charlie Hebdo, inclusive quando eles falaram sobre o afogamento do menino imigrante. Sugiro que leiam esse ponto de vista publicado por mim na época em que a “treta” rolava solta nas redes sociais. Invista um tempinho nessa leitura. Acredito que será produtivo:http://www.foradoarmario.net/2016/01/sobre-o-cartoon-do-charlie-hebdo-com-o.html

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EXISTEM MUÇULMANOS E MUÇULMANAS FAZENDO UMA REFORMA POUCO BARULHENTA, MAS CORAJOSA DENTRO DO SISTEMA DO ISLÃ.

VEJA O TRABALHO DA FOTÓGRAFA LIA DARJES AQUI: 

http://www.foradoarmario.net/2016/06/fotografa-capta-imagens-de-muculmanos.html

gay e muçulmano

Fotógrafa capta imagens de muçulmanos gays e muçulmanas lésbicas

 


REVISITANDO UM TEXTO:

Islamismo, intolerância e a resistência dos muçulmanos LGBT

Islamismo, intolerância e a resistência dos muçulmanos LGBT

Por Sergio Viula

muçulmanos lgbt nos euaMuçulmanos LGBT nos EUA em passeata pelos direitos LGBT

Domingo passado, publiquei aqui um texto, intitulado “O que a xenofobia judaica tem a ver com a homofobia dos três monoteísmos”. Não é preciso pensar muito para se perceber que o cristianismo e o islamismo importaram da Torá muitos de seus princípios, doutrinas e mandamentos.

No texto da coluna de hoje, gostaria de pensar brevemente sobre o que há a respeito das relações entre pessoas do mesmo sexo no livro sagrado dos muçulmanos o Alcorão, também chamado de Corão.

Destaco aqui a menção feita, na 7ª Surata, ao profeta Ló – ou Lot como eles grafam no Corão:

E (enviamos) Lot,(505) que disse ao seu povo: Cometeis abominação como ninguém no mundo jamais cometeu antes de vós,

Acercando-vos licenciosamente dos homens, em vez das mulheres. Realmente, sois um povo transgressor.

E a resposta do seu povo só constituiu em dizer (uns aos outros): Expulsai-vos da vossa cidade porque são pessoas que desejam ser puras(506).

Porém, salvamo-los, juntamente com a sua família, exceto a sua mulher, que se contou entre os que foram deixados para trás.(507)

E desencadeamos sobre eles uma tempestade.(508) Repara, pois, qual foi o destino dos pecadores!

Apesar dessa passagem e mais umas poucas que abordam as relações entre homens, não se pode dizer que o Corão tenha regras realmente aplicáveis a questões contemporâneas que nada tem a ver com promiscuidade sexual, tais como: casamento igualitário e demais direitos civis dos cidadãos gays, lésbicas, bissexuais e transgêneros. Por isso, as nações que adotam o islamismo como religião oficial ou que tem maioria populacional muçulmana agem de modos diferentes para com as pessoas LGBT: há países que punem com a pena de morte qualquer pessoa encontrada em ato sexual com alguém do mesmo sexo e há países que aplicam penas mais brandas, como prisão.

É preciso esclarecer que a homossexualidade e a transexualidade nem sempre são tratadas do mesmo modo. Explico:

No Irã, homossexuais são enforcados, inclusive adolescentes. Porém, se o indivíduo for transexual e fizer a operação de adequação genital, não será perseguido. Isso porque tal pessoa será absorvida pela cultura do binarismo de gênero que os líderes islâmicos geralmente enfatizam e fazem questão de preservar.

A má notícia é que há registro de homens gays que se submeteram à transexualização para escaparem à perseguição para logo depois caírem em depressão, porque nunca foram mulheres transexuais, mas homens gays cuja identificação com o gênero masculino foi profunda e irreversivelmente violada.

Vale lembrar que essa brecha para a aceitação das pessoas transexuais não existe invariavelmente em todos os países muçulmanos. E há um estranho silêncio sobre homens transexuais, ou seja, aqueles que nasceram com genitália feminina e assumem o gênero masculino. Levando em consideração que a adequação genital de vagina para pênis não corresponde tão perfeitamente quanto seu inverso, é bem provável que os homens transexuais não desfrutem do mesmo beneficio que as mulheres transexuais – aquelas que nasceram com genitália masculina e exibem identidade feminina.

Enquanto a sanguinária perseguição contra pessoas LGBT em diversos países islâmicos continua sendo patrocinada pelo Estado ou propositadamente ignorada por ele, um filme fez enorme sucesso no Ocidente. Seu nome é A Jihad for Love. Trata-se de um documentário com depoimentos de pessoas muçulmanas que são LGBT. Elas falam de seus dramas, aspirações e vivências. A revista A Capa fez matéria sobre isso.

A rede jornalística Al Jazeera publicou notícia sobre um Imã assumidamente gay no Canadá. Obviamente, ele só pôde se assumir e permanecer em liberdade (para não dizer vivo), graças à democracia canadense e à laicidade daquele Estado. Transcrevo um trecho traduzido por mim aqui, mas a matéria pode ser encontrada no site da Al Jazeera.

Ele tem sido condenado por outros líderes muçulmanos, e alguns imãs locais têm se recusado a cumprimenta-lo. Mas o Imã Daayiee Abdullah – que se crê ser o único imã assumidamente gay das Américas – orgulha-se de sua história.

Ele nasceu e cresceu em Detroit, onde seus pais eram batistas [da Convenção Batista] do Sul. Aos 15 anos, ele assumiu-se para eles. Aos 33, enquanto estudava na China, Abdullah se converteu ao Islã, e foi estudar religião no Egito, na Jordânia e na Síria. Mas como homem gay na América, ele viu muçulmanos gays, lésbicas, bissexuais e transgêneros terem suas necessidades espirituais negligenciadas e se tornou o primeiro imã a oferecer apoio comunitário. (continua nosite da Al Jazeera)

Por aí, já se vê que o número de pessoas LGBT entre muçulmanos não é diferente do número encontrado em outros grupos religiosos e não religiosos. Na verdade, levando-se em conta a naturalidade da homossexualidade, da bissexualidade e da transgeneridade, é de se esperar que essas pessoas sejam encontradas em quaisquer grupos humanos. Agora, o modo como cada grupo lida com essa diversidade é que pode ser produtivo ou destrutivo. Se o grupo produz e reproduz homofobia, bifobia e transfobia, então haverá sofrimento, mas se essas características humanas forem encaradas com a naturalidade que já trazem em si mesmas, então não haverá conflito quanto ao que se é, como se ama, e como se vive.

A grande questão que salta aos olhos das pessoas ateias, agnósticas e céticas é:

Para que ser religioso e querer participar de uma comunidade de fé que, além de todos absurdos do ponto de vista epistemológico, ético e existencial, ainda acumula e cultiva preconceitos contra homoafetivos, biafetivos e transgêneros?

A pergunta parece até retórica, mas não é tão simples assim. As pessoas não são religiosas porque são heterossexuais e nem deixam de sê-lo porque são lésbicas, gays, bissexuais ou transexuais.

Uma coisa, porém, é certa: o número de pessoas secularizadas em locais que são maciçamente religiosos vai crescendo discretamente. E entre elas também existem aquelas que, sendo LGBT, ousaram pensar livremente, chegando à conclusão de que religião, qualquer que seja ela, não é mais verdadeira que qualquer mito rebaixado à posição de mera produção cultural – o que não deixa de conferir-lhe algum valor, obviamente, mas longe de ser o de verdade absoluta.

Parece-me que a melhor maneira de se combater o fanatismo violento é promovendo o esclarecimento da população com foco nos direitos humanos e no pensamento secularista humanista, porque suas premissas dão espaço para a convivência pacífica de todos, sem adotar qualquer crença religiosa como verdade final.

Aliás, é esse conceito de verdade como revelação divina, que não pode ser questionada, que mobiliza tanta gente para atos de violência como o que vimos na última quarta-feira, quando extremistas islâmicos mataram Charlie Hebdo e outras 11 pessoas na França. Não nos dobremos de modo algum, mas também não percamos a clareza do pensamento racional, acompanhado daquela terna firmeza que caracteriza as pessoas serenas e donas de si, porque de fanáticos, bastam os extremistas religiosos.

Não é preciso ser fanático para ser homofóbico…

Por Sergio Viula

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Adolescentes gays condenados à forca em praça pública por tribunal iraniano

Os sete países que ainda condenam homossexuais à morte por seu amor são de regime político-religioso muçulmano: Irã, Arábia Saudita, Iêmen, Mauritânia, Sudão, Somália e o Norte da Nigéria.

Na madrugada de hoje, coincidindo com o dia dos namorados no Brasil, o que poderia ter sido uma noite comum de final de semana em Orlando, uma das cidades mais badaladas por turistas do mundo todo, foi o cenário para o maior ataque terrorista com arma de fogo já realizado nos Estados Unidos. Um homofóbico nascido em Nova York, filho de pais afegãos que imigraram para os EUA, atirou e feriu 100 pessoas, matando mais de 50. A chacina começou por volta das duas horas da madrugada de hoje (12/06/16) e só terminou quando a polícia matou o terrorista, por volta da 6 da manhã. De posse de um rifle no estilo AR-15, ele fez reféns no banheiro da boate antes de ser abatido.

O pai dele diz que o terrorista já havia dado demonstrações de ódio contra homossexuais. Nem mesmo o fato de ser pai de uma criança de três anos, que precisaria dele por perto, demoveu esse desgraçado de praticar tamanha barbaridade.

Como diz o título desse post, não é preciso ser fanático religioso para ser homofóbico, mas provavelmente a homofobia já teria perdido o sentido (ou quase) se pregadores religiosos não passassem tanto tempo destilando seu veneno contra a comunidade LGBT (lésbicas, gays, bissexuais, transexuais, travestis e transgêneros).

Felizmente, a secularização com um quê de humanismo tem avançado em muitos países do mundo, a despeito das pressões de religiosos fanáticos e de não-religiosos homofóbicos, como é o caso de algumas figuras conhecidas aqui pelo Brasil.

A “católica” Itália, por exemplo, até esse mês, era o único país do mercado europeu que ainda não tinha regulamentado as uniões entre pessoas do mesmo sexo. Isso acabou, apesar da pressão de setores poderosos da Igreja Católica em contrário. Confira essa vitória aqui: http://www.foradoarmario.net/2016/05/presidente-da-italia-assina-lei-de.html

Na “judaica” Tel-Aviv, foi realizada esse mês a Parada do Orgulho LGBT mais badalada do Oriente Médio – lugar onde Israel, apesar de todas as controvérsias com Palestinos, figura como um espaço de tolerância para com as diferenças numa convivência muito mais pacífica do acontece em quaisquer dos países vizinhos. Os números da Parada LGBT de 2016  em Tel-Aviv revelam que 200 mil pessoas participaram do evento – o que é um número extraordinário, levando-se em consideração que a população total da cidade é de 400 mil habitantes. Ao todo, 35 mil turistas participaram do evento. Portanto, a maioria dos participantes era de gente que mora na belíssima Tel-Aviv.

Enquanto isso, no meio de tanta desgraça de cunho “islâmico”, uma mesquita que acolhe homossexuais e celebra suas uniões está fazendo história na África do Sul. A notícia é do canal Vice, o mesmo que produziu e veiculou o programa Gaycation com Ellen Page. O texto começa dizendo o seguinte:

“A mesquita gay da África do Sul é uma pequena sala com janelas cobertas por cortinas venezianas, um tapete verde e um Qibla apontado para Meca. Na parede pode ler-se o famoso verso do Corão: ‘Não há outro Deus além de Alá’. Cada sexta-feira, mais de uma dúzia de homens e mulheres homossexuais visitam este lugar de culto, liderado pelo único ímã do país abertamente gay, Muhsin Hendricks.”

“A homossexualidade não é pecado. Não há necessidade de alterar a tua maneira de andar ou de falar para eludir os olhares condenatórios. Deus aceita-te tal como és. Podes até aspirar a um casamento abençoado. Aqui podes ser gay. E muçulmano.” (fonte: https://www.vice.com/pt/read/muculmanos-homossexuais-mesquita-africa-do-sul)

É claro que isso é uma gota de amor num oceano de ódio e incompreensão, mas mostra que o amor não será vencido e que – a depender da resistência dos que não podem e não querem abrir mão de suas próprias vidas para se submeterem a padrões arbitrariamente ditados por quem não entende patavinas de sexualidade humana – a ignorância e o ódio serão absorvidos pelo conhecimento e pelo amor.

E os ateus? Bem, não consigo evitar o pensamento de que aqueles que são homofóbicos, transfóbicos ou que nutrem quaisquer preconceitos semelhantes continuam funcionando na lógica do fanatismo religioso, o qual deixa marcas profundas nas mentes de muitos, sendo reproduzido para muito além das paredes dos templos.

Felizmente, muitos ateus, muitos mesmo – e alguns dos mais brilhantes, diga-se de passagem- são simpatizantes dos direitos LGBT e apoiam a comunidade sexodiversa e transgênero. Um dos mais ilustres foi José Saramago, premiado escritor português, ATEU e heterossexual, que apoio a legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo em Portugal. Vale a pena dar uma olhada nesse artigo sobre ele: http://carlosalexlima.blogspot.com.br/2010/06/morre-jose-saramago-simpatizante-da.html

Outro brilhante ATEU apoiador é Richard Dawkins que (no vídeo abaixo) explica como o gene gay foi preservado. Além disso, quando o casamento gay estava para ser aprovado na Irlanda, ele se manifestou favoravelmente. E no tweet abaixo, ele SARCASTICAMENTE aborda o preconceito dos homofóbicos de plantão. Traduzi o tweet para esse post. Veja:

richard dawkins

 

 

Bill Maher, ATEU, humorista, produtor e apresentador de TV falou muito em favor do casamento gay nos EUA antes que a Suprema Corte reconhecesse esse direito. Nesse vídeo (em inglês), ele fala sobre o apoio de Obama a essa demanda da comunidade LGBT. Ele chega a comentar que mais de 65% da comunidade católica americana apoiava a aprovação. Claro que ele dá uma sacaneada nos religiosos e outros conservadores.

 

Mas, além dos mais destacados ateus e agnósticos do mundo, temos alguns ateus e agnósticos brasileiros que entendem o valor da diversidade sexual e de gênero. A esses, meu mais sincero aplauso. Um deles é o programa Palavra do Ateu. Vale a pena conferir abaixo:

 

O Pirulla é outro fofo que faz uns programas bem legais e já falou mais de uma vez sobre o tema:

 

 

O canal da Arca já fez vários hangouts interessantes sobre os mais variados temas. Tive o privilégio de participar de alguns. O primeiro foi esse, que acabou sendo desdobrado em dois:

 

A Liga Humanista Secular do Brasil já tomou várias iniciativas. Pontuo aqui esse texto sobre humanismo, no qual a organização fala sobre os direitos LGBT:

liga humanista humanismo lgbt gay homossexualidade

CLIQUE AQUI PARA LER NA ÍNTEGRA: http://notas.ligahumanista.org/2012/04/humanismo-nao-faz-mal-ninguem.html

 

Hoje, dia do massacre na boate Pulse, a ATEA (Associação de Ateus e Agnósticos), manifestou solidariedade à comunidade LGBT e chamou atenção para as desgraças que o fanatismo e o preconceito podem produzir.

atea atentado boate pulse.png

 

A ATEA já havia demonstrado carinhosa deferência para comigo pessoalmente e para com a luta contra a famigerada e fraudulenta “cura gay”. Quando dei entrevista para a UOL, eles publicaram no perfil oficial da organização no Facebook o seguinte:

atea sergio viula

Essa matéria pode ser encontrada aqui: 

http://estilo.uol.com.br/comportamento/noticias/redacao/2015/01/14/ex-pastor-que-pregava-cura-gay-e-homossexual-e-diz-e-uma-farsa.htm

 

CONCLUINDO

Cada vez mais, ateus e agnósticos precisam se livrar do preconceito internalizado a partir de estímulos os mais variados, principalmente os que ecoam dos porões da religião com sua LGBTfobia. Felizmente, exemplos positivos, temos vários em nosso meio!

Os religiosos também precisam se libertar disso. Talvez ainda mais. Muitos são ótimos exemplos de humanismo, a despeito de sua não-adesão ao ateísmo, porque  não há relação de necessidade entre as duas coisas. Basta ver que existem religiosos e ateus que apoiam gente homofóbica e carregada de outros preconceitos como Bolsonaro. E existem nos dois ambientes gente que abomina esse traste.

Não deixe de ler esse post a respeito do batismo de Bolsonaro, feito pelo pastor citado na Lava-Jato, presidente do PSC: http://www.foradoarmario.net/2016/05/batismo-de-sangue-e-o-batismo-de.html

De qualquer modo, o pai daquele desgraçado que destruiu a vida de tanta gente na madrugada de hoje em Orlando disse que ele ficava transtornado quando via gays, especialmente se beijando. Então, decidi espalhar o seguinte nas redes sociais e espero que muita gente siga o exemplo: Vamos multiplicar fotos de afeto, de amor, de carinho! O beijo é mais forte que a bala.

atirador orlando pulse beijocampanha beijo

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

LEIA SOBRE O LUTO E SOBRE A LUTA depois desse trágico domingo de terrorismo homofóbico:

http://www.foradoarmario.net/2016/06/luto-massacre-na-boate-pulse-e-o-maior.html

 

 

 

 

Existência: Surgimento, permanência e desaparecimento

Por Sergio Viula

fluxo

O fluxo da existência é algo extremamente intrigante. Ninguém pode precisar onde ele começou (se é que teve início) e ninguém pode afirmar seguramente se ele terá fim um dia. Talvez a única coisa mais próxima do nosso conceito de eterno seja exatamente esse fluxo da existência. E por esse sintagma, quero dizer o conjunto de fatores que – combinados fortuitamente – resultam nos inúmeros micro-processos que produzem tudo que vemos, ouvimos, cheiramos, saboreamos e tocamos, além do incalculavelmente maior número de coisas às quais nem podemos acessar por estarem fora do nosso alcance ou por serem imperceptíveis aos nossos sentidos. Esse fluxo que faz surgir tudo também inclui os processos que fazem tudo desaparecer. Na verdade, tanto o surgimento quanto o desaparecimento dos produtos desse fluxo entram na economia dos novos produtos que surgem ou que desaparecem continuamente no horizonte da existência.

O que chamamos de permanência é a ilusão de que as coisas continuam sendo as mesmas por algum tempo. Porém, nada permanece fiel a si mesmo. Somos todos fiéis ao fluxo: estamos em contínuo movimento e mover-se é mudar. Daí, aquela linda frase de Lulu Santos: “tudo muda o tempo todo no mundo”. O mundo também muda, diga-se de passagem.

Quando olho fotos da minha infância, reconheço-me e estranho-me nelas simultaneamente. Sou e não sou eu naquela foto. E em breve, esse produto do fluxo da natureza (mas o fluxo é a natureza!!!), arbitrariamente chamado Sergio, também desaparecerá. Talvez sua existência seja lembrada por um tempo até ser definitivamente esquecida. Será que vale a pena tanto aborrecimento, no final das contas? Provavelmente, não. Será que se justifica tanta alegria em estar vivo? Sim e não.

Explico:

A alegria em estar vivo se justifica pelo fato de que viver é uma experiência fantástica sob muitos pontos de vista.

Por outro lado, estar vivo e saber que a morte chegará em 100 anos, no máximo, podendo nos atingir a qualquer momento, é algo que transforma o privilégio de viver em angústia. Felizmente, essa angústia fica relativamente esquecida em meio a tudo o que a vida nos solicita o tempo todo, mas ela nunca está completamente ausente.

Por exemplo, quando alguém que amamos morre, inevitavelmente pensamos na morte. E não pensamos só na morte do falecido, mas na nossa própria morte. Ontem, ele estava aqui. Hoje, não está mais. Aplicando isso a nós, chegamos à conclusão de que hoje o enterramos, mas amanhã poderemos ser nós no caixão, mesmo que esse amanhã leve algum tempo para chegar. E se o desaparecimento nos perturba, muito mais perturbador é pensarmos em como esse desaparecimento se dará: haverá dor? Será sofrido? Estaremos conscientes ou inconscientes antes de nossa completa e eterna inconsciência, à qual se segue imediatamente a desconfiguração do corpo que a projetava, ele mesmo produzido pelo fluxo da natureza?

Você pode estar se perguntando por que decidi falar sobre esse assunto hoje. Não foi à toa. Ontem, perdi uma amiga. Tratava-se de uma idosa de 18 anos. Ela nasceu em 1997 e morreu na madrugada do dia 04 de junho de 2016. Seu nome era Pimpolha e foi a primeira cachorrinha que meus filhos tiveram.

Clique sobre as fotos para ver legendas.

Pimpolha chegou aqui uma bolinha de pelo, cresceu, brincou muito, teve filhotes, envelheceu até virar um saquinho de ossos e morreu aos 18 anos ainda reconhecendo a gente, mas sofrendo do fígado. Provavelmente, um câncer. Que tristeza perder quem já nos deu tanta alegria… O consolo é saber que foi feliz por muitos anos e morreu perto de gente que a amava. Meus pais foram os maiores cuidadores.

Ficamos tristes com a morte dela, mas aliviados que tenha parado de sofrer. O mesmo se aplica a nós. É melhor morrermos do que sofrermos inutilmente e sem a possibilidade de fazer as coisas que sempre amamos ao longo da vida. A diferença é que os humanos inventaram todo o tipo de “esperança” pós-morte para suportar o peso da realidade – o que  geralmente não resolve nada e ainda pode complicar muito mais as coisas. Viver poderia ser mais simples se as pessoas não inventassem tantos “compromissos” numa suposta agenda pós-morte. A dificuldade em lidar com o fim da história (a de si mesmo) faz com que alguns humanos pensem numa continuação, mas essa ficção já tornou a realidade de muita gente pior do que seria sem ela. Felizes os animais que não desenvolveram imaginação suficiente para tanto…

Acredite você ou não em mundos pós-morte ou em vidas pós-mundas, não tem jeito, baby: surgimos, “permanecemos” e desaparecemos, assim como os nossos animaizinhos de estimação. E do mesmo jeito que não tem céu ou inferno para cachorros, não há qualquer evidência de que eles existam para nós também. Essa exclusividade “judaico-cristã” se dá pelo fato dos criadores do mito só terem pensado em si mesmos.

O cristianismo, por exemplo, deixou os animais completamente fora de qualquer existência pós-morte, porque na ânsia de colocar o ser humano, especialmente o macho humano, acima de todas as outras “criaturas” (prefiro dizer seres), eles praticamente “maquinizaram” os animais. Os animais funcionam como máquinas, sem a necessidade de uma “alma”. Porém, a verdade é que não há diferença  alguma entre nós e os outros animais no que tange à imortalidade ou a existência de uma alma conectada à alguma divindade. Tudo isso não passa de imaginação fabulosa. Todos morremos. E nossos átomos serão recombinados para o surgimento de outros produtos desse fluxo “da natureza”, de fato, é a própria natureza.

Algumas outras religiões até foram mais generosas para com os animais, só que nenhuma dessas religiões eram de origem abraâmica como judaísmo, cristianismo e islamismo. Elas têm raízes em outras formas de ver a vida, o mundo e os seres que o habitam. Não surgiram nos desertos do Oriente Médio, mas na exuberante Índia, só para dar um exemplo. O hinduísmo acredita que a reencarnação inclui todos os tipos de seres – dos minerais aos divinos (a última etapa).

Tentando recuperar um pouco do terreno perdido no que tange à bicharada, a Igreja Católica encontrou espaço para uma bênção especial aos animais através de Francisco de Assis, que acabou sendo considerado o padroeiro dos animais. Mas ele acabou figurando com um retalho de tecido totalmente estranho ao padrão tradicional da colcha teológica dos papistas.

Os evangélicos, então, nem isso têm. São mais pobres ainda.

Quando os judeus diziam no Pentateuco que o teu animal seria bendito no campo, essa benção não tinha mais do que a ideia de que ele seria saudável e produtivo ($$$), porque o dono dele estava sendo fiel ($$$). Vale dizer que a “teologia da prosperidade” que os neo-pentecostais tanto prezam vai comer justamente nesse coxo escriturístico para justificar suas esquisitices e megalomanias.

Lamento desapontá-los criadores de fábulas, mas assim como a Pimpolha, estamos todos sujeitos ao fortuito, às  contingências do corpo e do mundo que o rodeia, entre elas a incapacidade de viver para além daquilo que a combinação entre genética e meio nos permitem.

Sob muitos aspectos, Pimpolha foi uma felizarda: viveu mais que a média de sua espécie, cercada de amor, boa comida, bom ambiente (para brincar, dormir, conviver com as pessoas que amavam), cuidados veterinários. Porém, como todos nós, ela estava em constante mudança. Por isso, chegou aqui uma bolinha e se foi como um saquinho de ossos. Até o banho que antes era uma festa se tornou um tormento.

Qual é a moral da história, no final das contas?

Viver bem cada etapa. Não temer a morte, porque enquanto ela não vem, podemos até sofrer um pouco, mas depois que ela se instala, o sofrimento acaba e não há sequer lembrança dele, uma vez que a cessação das atividades cerebrais, devido à morte de sua fonte (o cérebro), acaba com qualquer possibilidade de alegria ou de dor.

Alguém poderia me perguntar: Então, por que você se dá o trabalho de viver bem – de viver uma vida produtiva e geradora de felicidade?

Minha humilde resposta é simplesmente: Porque  além de parecer o mais racional, saudável e nobre a se fazer, eu não saberia viver de outra maneira. E  quando viver dessa maneira se tornar permanentemente inviável para mim, eu voluntariamente espero poder interromper minha vida do jeito mais limpo e menos doloroso possível. Não tenho obsessão nem pela vida (a qualquer preço) e nem pela morte (por um motivo qualquer). Não vou durar para sempre, mas quero viver bem cada etapa. Nada mais e nada menos do que isso.

Eu adoraria poder dizer “adeus, Pimpolha”, mas ela não se encontra mais. Tudo o que me resta é dizer esse adeus como se ele fosse mais uma palavra sobre ela para vocês em vez de ser uma palavra para a própria. Fiz isso no Facebook e vários amigos responderam (agradeço a todos). Pimpolha, porém, nunca mais dará um só latido abanando o rabinho para mim como que dizendo: “Oi, que bom que você já chegou.” 😦

x-men exposição
Exposição com figurino e apetrechos usados nas gravações de X-Men: Museu da Imagem e do Som (SP), dia 29 de maio de 2016.

Nota: Não foi publicado nenhum texto aqui no site no domingo passado, porque Andre e eu estávamos em SP para a Parada do Orgulho LGBT, que foi um sucesso absoluto de público e estava belissimamente organizada. Veja as foto no link abaixo: 

http://www.foradoarmario.net/2016/05/20-parada-lgbt-de-sao-paulo-2016-nos.html